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26 de Junho de 2022

Principais plataformas para prospecção de clientes na advocacia em meio virtual e visão da OAB

Aprenda como utilizar blogs, sites e redes sociais para prospecção de clientes na advocacia respeitando as normas éticas da OAB e o posicionamento dos Tribunais de Ética e Disciplina.

Alessandra Strazzi, Advogado
Publicado por Alessandra Strazzi
há 2 anos

Na última década, houve um aumento significativo da utilização de plataformas digitais por pessoas do mundo todo.

Com relação ao Brasil, não foi diferente. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa GlobalWebIndex em 2019, o Brasil ficou em segundo lugar no ranking de países em que população mais usa as redes sociais (a estimativa é que o brasileiro gaste 225 minutos por dia nas mídias sociais, em média).

Concorda que, se você almeja que outros clientes em potencial conheçam seu trabalho e as pessoas estão cada vez mais usando as plataformas digitais, o mais inteligente a se fazer é também investir seu tempo na construção de sua presença digital como advogado?

Compreendo que muitos colegas se mostram receosos em fazer sua publicidade na internet, com medo de desrespeitarem as normas da OAB e sofrerem penalizações.

Porém, como venho dizendo ao longo desses últimos artigos, é completamente possível desenvolver uma publicidade advocatícia ética também no meio virtual.

Visando incentivá-los nessa jornada, decidi escrever um artigo trazendo as principais informações que precisam saber sobre as plataformas digitais mais usadas para a prospecção de clientes na advocacia respeitando as normas da OAB e a ética profissional!

Se gostar do artigo, nos siga no Instagram! É @desmistificando! E aproveite para conferir a publicação original deste artigo no nosso blog Desmistificando o Direito: Prospecção de clientes na advocacia: principais plataformas digitais.

1) Quais as principais plataformas digitais para prospecção de clientes na advocacia?

Antes de mais nada, todas as vezes que pensar em desenvolver a sua publicidade advocatícia (seja no “mundo físico” ou na internet), leve em consideração que o conteúdo deve ser desprovido de incentivo ao litígio, engrandecimento do advogado (autopromoção), mercantilização (é vedada a captação de clientela) e respeitar o sigilo profissional.

Produza sua publicidade com caráter informativo (por isso é tão interessante utilizar o marketing de conteúdo), obedecendo as regras de ética, discrição, moderação, dignidade e moral advocatícia.

Ademais, recomendo que consulte:

  • As decisões dos TEDs: muitas vezes algum TED já se manifestou sobre um caso igual ou semelhante ao seu. Procure encontrar informações sobre o posicionamento do Tribunal do seu Estado, visto que nem sempre há um consenso sobre determinados temas em todo país.
  • O Provimento n. 94/2000 do Conselho Federal da OAB (inteiro), Estatuto da Advocacia e da OAB (arts. 31 e seguintes) e o Código de Ética e Disciplina da OAB (art. 5º; art. 39 e seguintes): pesquise se há alguma vedação explícita ou disposição que possa ser aplicada ao seu caso em concreto.

Mesmo abordando as principais informações neste artigo, nunca é demais salientar o quão a leitura desses dispositivos é importante! 😉

1.1) Canal no YouTube

Não existe vedação para que o advogado realize sua publicidade profissional no Youtube. Porém, os vídeos devem estar em absoluta consonância com as normas e preceitos éticos da Ordem dos Advogados do Brasil.

Assim, o escritório de advocacia ou o advogado pode manter um Canal no Youtube para divulgar vídeos informativos que funcionem como uma “isca” para atrair a atenção dos espectadores e, quem sabe, conquistar clientes novos.

Aliás, você sabia que o Youtube é a rede social mais usada pelos brasileiros, ultrapassando inclusive o Facebook (de acordo com o relatório Digital in 2019, do site We Are Social)?

Portanto, creio que investir nessa plataforma representa uma ótima alternativa para a prospecção de clientes!

No que tange à possibilidade de divulgação de vídeos jurídicos no Youtube, confira a decisão do TED da OAB de São Paulo:

“Proc. E-4.644/2016
PUBLICIDADE - MÍDIA DIGITAL - VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO - REDES SOCIAIS E INTERNET - POSSIBILIDADE - MATERIAL INSTITUCIONAL E JURÍDICO-CIENTÍFICO - LIMITES ÉTICOS APLICÁVEIS AO CONTEÚDO JÁ CONSOLIDADOS PARA A MÍDIA IMPRESSA - APROVEITABILIDADE DAS DIRETRIZES JÁ POSTAS NO CÓDIGO DE ÉTICA EM VIGOR - ESCLARECIMENTOS SOBRE VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO - FACEBOOK, TWITTER, YOUTUBE - BOM SENSO E SOBRIEDADE ÍNSITOS À PROFISSÃO - PROIBIÇÃO A CAPTAÇÃO DE CLIENTELA - DISTINÇÃO DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE - INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DAS NORMAS - CONSIDERAÇÕES SOBRE O NOVO CÓDIGO DE ÉTICA. Qualquer forma de publicidade que envolva a atividade advocatícia deverá obedecer aos parâmetros dos artigos 28 a 33 do Código de Ética e Disciplina, do Provimento 94/2000, do Conselho Federal da OAB, conforme precedentes deste Tribunal. Veiculação de mídia digital em redes sociais como Facebook e Youtube, quiça twitter, impõe que o acesso e o envio de informações dependem da iniciativa do próprio usuário e não do advogado. Necessidade de discrição e moderação. O Provimento n. 94/2000 considera a internet meio lícito para a divulgação publicitária da advocacia, desde que obedecidos os princípios éticos que regem a publicidade de advogados. A forma de divulgação não é, por si só, o elemento que predica conduta antiética, mas sim seu conteúdo. Deve haver moderação do e no local de divulgação, aderentes a sobriedade da profissão. Youtube é site de compartilhamento de vídeos pelos usuários. Sua utilização submete-se aos mesmos princípios éticos já balizados e reconhecidos pela Turma Deontológica. Páginas e sites que atingem grupo indiscriminado violam conduta ética. Precedentes: E-4.484/2015, E-4.343/2014, E-4.176/2012, E-4.278/2013, E.317/2013, E-4.373/2014, E-4.430/2014, E-4.282/2013 e E-4.296/201 Proc. E-4.644/2016 - v.u, em 27/10/2016, do parecer e ementa da Rel. Dra. CRISTIANA CORRÊA CONDE FALDINI, com apresentação de voto convergente do Julgador Dr. LUIZ ANTONIO GAMBELLI - Rev. Dr. FÁBIO TEIXEIRA OZI - Presidente Dr. PEDRO PAULO WENDEL GASPARINI.” (g.n.)

1.2) Sites de venda e compra

Como falei no artigo Advogado pode anunciar na OLX? O que diz a OAB, sites de compra e venda apresentam um nítido caráter mercantil, sendo praticamente impossível separar essa característica dos anúncios que são publicados neles.

Tais anúncios têm o objetivo de fazer propaganda e divulgar os serviços ao maior número possível de pessoas (ou seja, a um grupo indeterminado, a uma coletividade).

Portanto, o colega que anuncia seus serviços nesse tipo de plataforma, mesmo que o anúncio contenha somente informações de contato, está utilizando estratégia ilegal de captação de clientela e mercantilizando a profissão, o que é proibido pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Sobre o tema, acho legal compartilhar com vocês uma decisão do TED da OAB do Tocantins:

“CONSULTA – POSSIBILIDADE DE ANUNCIAR/DISPONIBILIZAR NOME DE ADVOGADO NO SÍTIO ELETRÔNICO OLX – CONSULTA ADMITIDA – CONDUTA VEDADA. (i) Admite-se consulta quando se tratar de situação hipotética e não se verificar interesse de obtenção de prejulgamento para caso específico. Inteligência do art. 45 do RITED/OAB/ES; (ii) É irregular (e, portanto, conduta vedada) a disponibilização de nome, número de inscrição, área de atuação, titulação acadêmica e contato no sítio eletrônico OLX; (iii) A uma porque tal sítio eletrônico tem genuíno propósito mercantilista, de atos de mercancia, os quais são incompatíveis com a advocacia, pela dicção do art. 5.º do CED e do art. 4.º, alínea l do Provimento n.º 94/2000 do CFOAB; (iv) A duas porque tal ato tem nítido caráter de “anúncio”, e, por aí dizer, de propaganda, já que o desígnio é de “pulverizar” o nome do Advogado e/ou da Sociedade de Advogados, não se tratando de um mero conteúdo discreto e dirigido a um público destinado (vide, publicidade), como determinam os preceitos éticos da OAB, em particular o art. 39 do CED; (v) Atendendo à consulta empreendida, conclui-se ser vedado ao Advogado anunciar-se no sítio eletrônico OLX e similares, podendo, em tese, tal conduta caracterizar as infrações descritas nos incisos IV e XXV do art. 34 do EAOAB”. (g.n.)
(Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/ES, 1ª Turma de Deontologia, Processo n. 13972019-0, Relator Dr. Bruno Richa Menegatti, Julgamento: 22/03/2019)

1.3) Perfil em Redes Sociais

Primeiramente, é necessário esclarecer que é permitido que o advogado tenha páginas ou perfis de caráter profissional nas mídias sociais.

Mesmo que não há uma norma abordando explicitamente a autorização, a interpretação que se retira da leitura conjunta do Provimento n. 94/2000 do Conselho Federal da OAB, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei n. 8.906/1994) e do Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução n. 2/2015), é de que não há vedação para que o colega se utilize das redes sociais com escopo profissional.

É esse o entendimento proferido pelos TEDs em suas decisões sobre a questão.

Saliento que existem centenas de redes sociais disponíveis e seria muito difícil abordar as especificidades de cada uma delas em um só artigo. Desse modo, optei por direcionar minha pesquisa às duas redes sociais mais usadas atualmente em nosso país: Instagram e Facebook.

Porém, se tiver qualquer dúvida relacionada à outras redes, me fala nos comentários e eu respondo. Combinado? 😉

1.3.1) Perfil no Instagram

O Instagram está conquistando cada vez mais força e vários advogados brasileiros já estão marcando presença nessa rede!

Para quem não conhece, o Instagram funciona de forma semelhante ao Facebook, mas seu diferencial é o foco no compartilhamento de vídeos e fotos. Até é possível desenvolver um conteúdo escrito na legenda das imagens (descrição), mas o espaço disponível para isso é bem reduzido.

Penso que o Instagram seja ideal para divulgar seus conteúdos de maneira mais visual e “humanizar” sua marca profissional como advogado. Ou seja, trata-se de uma excelente chance para desenvolver seu branding jurídico!

Atenção: Jamais forneça consultas gratuitas nas redes sociais, seja através de mensagens privadas, comentários em suas publicações e muito menos “abrindo” a caixinha de perguntas dos stories para isso. Isso é vedado pela OAB e corresponde a uma infração ética-disciplinar!

1.3.2) Perfil no Facebook

Mesmo que o Instagram esteja conquistando cada vez mais a preferência do povo brasileiro, o Facebook ainda é a segunda rede social mais usada por nós (perde somente para o Youtube) e a rede social mais usada no planeta (dados do relatório Digital in 2019, do site We Are Social).

Desse modo, se você ainda não possui sua página profissional no Facebook, sugiro muito que crie uma e comece a usá-la como meio de prospecção de clientes.

Se o Facebook é uma das redes sociais mais usadas pelos brasileiros, não aplicá-la em sua estratégia digital corresponde à simplesmente desperdiçar a chance de divulgar seu trabalho a um número de pessoas maior!

Naquele artigo que escrevi sobre advogado poder fazer propaganda no Facebook ou Instagram, mencionei várias dicas sobre como realizar de forma ética sua publicidade advocatícia nas redes sociais. Se você já tiver uma página profissional ou possua a intenção de criar uma, não deixe de ler!

Lembrando que a mesma vedação à consultas gratuitas no Instagram, também é aplicada com relação ao Facebook.

1.4) Podcasts

Os podcasts representam uma maneira de difusão de conteúdo sonoro através de plataformas da internet, sejam aplicativos de áudio por celular ou sites (conhecidos como plataformas de streaming, como Deezer, Spotify, entre outros).

O art. 40, I, do CED proíbe a veiculação de publicidade por meio de cinema, rádio e TV. No entanto, há uma grande diferença entre o podcast e o rádio.

O conteúdo difundido em rádio é colocado à disposição de todos os que sintonizam a estação a partir da qual se emitem os sinais sonoros, não dependendo de uma escolha ativa do destinatário. Já no podcast, o conteúdo se encontra armazenado em mídia digital e somente será veiculado se houver uma ação específica e ativa do destinatário final.

É por esse motivo que, diferente do rádio, o podcast é uma forma de publicidade profissional autorizada pela OAB, com a ressalva de que o conteúdo a ser veiculado, respeite as normas éticas que pautam a conduta de qualquer advogado.

Sobre o tema, segue a ementa de uma decisão do TED da OAB de São Paulo:

“E-5.342/2019
UTILIZAÇÃO DE PODCASTPOSSIBILIDADE – DESDE QUE OBSERVADAS AS NORMAS APLICÁVEIS À PUBLICIDADE PREVISTAS NO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA E NO PROVIMENTO 94/2000.
Advogado pode fazer uso de podcasts, desde que o acesso ao respectivo conteúdo dependa de uma iniciativa do usuário, que deve ativamente optar por ter acesso à informação disponibilizada e desde que respeitadas todas as normas éticas aplicáveis, ou seja, desde que tenha caráter exclusivamente informativo, educacional ou instrutivo, prime pela discrição, moderação e sobriedade, não configure mercantilização da profissão, não implique oferecimento de serviços, não estimule a litigância nem tenha por escopo a captação de clientela, conforme dispõe os art. 39 e 41 do CED. São vedadas, por meio de podcasts, as condutas mencionadas nos arts. 40 e 42 do CED e a veiculação de mensagem com proposito de promoção pessoal, conforme prevê o art. 43 do mesmo código. Proc. E-5.342/2019 - v.u., em 12/02/2020, do parecer e ementa do Rel. Dr. RICARDO BERNARDI Rev. Dr. FÁBIO TEIXEIRA OZI - Presidente Dr. GUILHERME MARTINS MALUFE”. (g.n.)

1.5) Blogs e Sites

Acho que, dentre as várias plataformas digitais, blogs e sites sejam os meios mais usados pelos colegas, talvez por ser algo criado a mais tempo e que os advogados já desenvolveram certa confiança de que não serão pela OAB penalizados.

Criando um blog/site próprio, além de passar uma sólida imagem profissional e que segue novas tendências virtuais, o advogado tem a chance de divulgar seus serviços a um número maior de pessoas e prospectar clientes novos.

A Ordem dos Advogados do Brasil autoriza que o escritório de advocacia ou advogado possua um site, desde que o conteúdo publicado respeite as determinações que citei nos tópicos anteriores (vedação da mercantilização da profissão, caráter informativo etc.) e contenha somente os dados de contato permitidos pela OAB.

Do mesmo modo, é possível a publicação de artigos em sites jurídicos de terceiros (como Migalhas, Jusbrasil, Conjur, entre outros), estando sujeito às mesmas normas éticas aplicáveis ao site do próprio advogado.

Vejamos algumas decisões de TEDs que selecionei sobre a temática:

Consulta 2010.27.06337-02/OEP. Origem: Processo Originário. Assunto: Consulta. Sítio eletrônico na internet. Abordagem de diversos assuntos jurídicos. Ofensa ao art. 32, caput, do Código de Ética e Disciplina c/c o art. 5º, § único, e 8º, b, do Provimento n. 94/2008. Consulente: Conselho Seccional da OAB/Pernambuco. Relator: Conselheiro Federal José Murilo Procópio de Carvalho (MG). Ementa n. 012/2011/OEP: A abordagem, em sítio eletrônico, de temas jurídicos diversos e de interesse geral, não caracteriza ofensa ao art. 32, caput, do Código de Ética e Disciplina da OAB, c/c os arts. 5º, § único, e 8º, ambos do Provimento n. 94/2008, sendo salutar, desde que o artigo não vise à mercantilização da advocacia e observe os limites impostos à publicidade, propaganda e informação, previstos nos diplomas legais da Ordem dos Advogados do Brasil. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, decidem os membros integrantes do Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da OAB, por unanimidade, responder a consulta, nos termos do voto do Relator. Brasília, 18 de outubro de 2010. Alberto de Paula Machado – Presidente. José Murilo Procópio de Carvalho – Conselheiro Federal Relator. (DOU. S1, 26/01/11, p. 86) (g.n.)
RECURSO N. 49.0000.2017.008259-5/SCA-STU. Recte: J.C.P.S. (Advs: Julio Cesar Pereira da Silva OAB/RS 44378 e outros). Recdo: Conselho Seccional da OAB/Rio Grande do Sul. Relator: Conselheiro Federal Daniel Fábio Jacob Nogueira (AM). EMENTA N. 053/2018/SCASTU. Recurso ao Conselho Federal da OAB. Acórdão não unânime de Conselho Seccional. Publicidade imoderada. Infração ética configurada. Advogado que mantém site de internet com a utilização da sigla OAB em seu domínio, circunstância vedada, dada à sua nítida vinculação à OAB, enquanto entidade de classe, nas ferramentas de busca na internet. Prescrição intercorrente. Ausência de paralisação do processo por mais de três anos. Envio de ofício por Presidente de Subseção para o advogado suspender a veiculação da publicidade imoderada. Atribuição de defender as finalidades da OAB prevista em lei. Ausência de nulidade. Devido processo legal respeitado. Recurso improvido. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em referência, acordam os membros da Segunda Turma da Segunda Câmara do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, observado o quorum exigido no art. 92 do Regulamento Geral, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Brasília, 12 de março de 2018. Alexandre César Dantas Soccorro, Presidente. Daniel Fábio Jacob Nogueira, Relator. (DOU, S.1, 21.03.2018, p. 82) (g.n.)
Processo Disciplinar Nº 298386/2011 - por unanimidade
EMENTA: ANGARIAR CAUSA. DIVULGAÇÃO EM SITE DE LISTA DE DOCUMENTOS E LINK PARA DOWNLOAD DE PROCURAÇÃO E CONTRATO DE HONORÁRIOS. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. CUMULAÇÃO DE MULTA DE DUAS ANUIDADES. Configura a conduta de angariar causa a divulgação em site da internet de lista de documentos necessários ao ajuizamento da demanda Infração caracterizada. Cumulação de multa de quatro anuidades frente a reincidência. Nona Turma Julgadora do TED- Relator Dr. JONAS ESPIG STECCA - Porto Alegre, 18 de dezembro 2018. (g.n.)
Processo nº 202003052 - CONSULTA. Voto: unanimidade. Presidente do Órgão Especial do TED/OAB-GO: Samuel Balduino Pires da Silva. Relator (a): Estênio Primo de Souza. Data da sessão: 28.05.2020. EMENTA: CONSULTA EM TESE. MATÉRIA ÉTICO-DISCIPLINAR. PUBLICIDADE NA ADVOCACIA. DIVULGAÇÃO DE RESULTADOS DE CAUSAS. CONDUTA VEDADA. PARCIALMENTE CONHECIDA E RESPONDIDA. 1. É vedada à advogada e ao advogado a prática habitual de divulgação de resultados de causas em que atuou, em que fique evidenciada a identificação das partes envolvidas e a natureza da ação, em quaisquer ambientes, inclusive sites especializados de conteúdo jurídico, em jornais e revistas, eletrônicos ou não, e em sites ou redes sociais próprios. 2. A prática em questão, caracterizada por divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas, contraria o previsto no art. 3º, § 1º do Provimento nº 94/2000 do Conselho Federal da OAB c/c o art. 42, IV, do Código de Ética e Disciplina da Ordem. 3 – Circunstância narrada extrapola a publicidade profissional meramente informativa e desborda, destarte, do limite ético aceitável. 4 – Configuração de captação de clientela ou mercantilização da profissão, em afronta ao art. 39 do Código de Ética e Disciplina. ACORDAM: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, e obedecido o quórum de instalação e deliberação previsto no art. 9º do Regimento Interno da OAB/GO, acordam os integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Ética e Disciplina da Seção de Goiás da Ordem dos Advogados do Brasil, por unanimidade, aprovar o Parecer que concluiu pela vedação à divulgação de resultados de causas, por afronta ao art. 3º, § 1º do Provimento nº 94/2000 e artigos 39 e 42, IV, do Código de Ética e Disciplina da OAB. Goiânia, 01 de junho de 2020. Estênio Primo de Souza. 1º Secretário do TED-OAB-GO. (g.n.)

Se estiver tendo dificuldades em conseguir mais acessos para o seu site, sugiro que confira o artigo que recentemente escrevi sobre como aumentar o seu tráfego sem desrespeitar as normas da OAB. Tenho certeza de que irá lhe ajudar, está super completo!

1.5.1) Site do Jusbrasil

duas maneiras de o advogado ou escritório de advocacia prospectar clientes através do site do Jusbrasil.

Uma delas, é usando o site para a publicação de artigos.

O colega se cadastra de forma gratuita, escreve um artigo sobre determinado assunto (geralmente referente à área do direito em que atua) e pública na plataforma, para que qualquer pessoa possa ter acesso ao conteúdo criado.

Trata-se do jeito mais comum de usar o Jusbrasil e, assim como os sites/blogs, é uma forma indireta de prospecção de clientes. Inclusive, sugiro que se esforce para preencher seu perfil no site da maneira mais completa possível, pois, após ler seus artigos, as chances desses potenciais clientes visitarem sua página são grandes.

Ao conteúdo publicado no Jusbrasil, aplicam-se as mesmas normas éticas que citei no tópico 1.5 (visto que é considerado como publicação de conteúdo informativo em site de terceiro, o que é autorizado pela OAB).

A segunda maneira de prospectar clientes pelo Jusbrasil, é por meio do serviço de Diretório de Online de Advogados que o site disponibiliza. É uma espécie de intermediação que a plataforma realiza entre advogados e clientes (caso queira entender melhor como funciona, aqui no site do Jusbrasil contém todas essas informações que precisa).

Mas me conta, você usa ou já usou alguma plataforma de prospecção direta de clientes, como o Jusbrasil? Compartilhe sua experiência comigo nos comentários!

2) Regra Geral aplicada à demais plataformas digitais

É necessário levar em consideração que a realidade digital (em especial, as redes sociais) trata-se de algo relativamente recente (pelo menos para os parâmetros do direito… hahaha) e a OAB ainda está se adaptando e tentando evoluir, para tratar de forma mais eficaz essas “novidades”.

Porém, as regras de publicidade profissional do advogado podem ser aplicadas à todas as plataformas digitais, mesmo que não citem especificamente cada uma delas.

O cerne de uma publicidade advocatícia ética será a mesma sempre: conteúdo somente informativo, de caráter discreto e sóbrio, que não apresente mensagens de autopromoção, mercantilização da profissão, captação ilegal de clientela e incentivo ao litígio.

Ademais, é necessário obedecer o sigilo profissional, veicular o conteúdo apenas em canais de comunicação autorizados pelo órgão e apresentar só as informações para contato profissional que autoriza a OAB.

O TED da OAB de São Paulo proferiu interessante posicionamento sobre a questão em uma de suas Consultas (E-5.342/2019):

“[...] Neste sentido, a criação de plataformas eletrônicas, aplicativos, mídias sociais, podcast e tudo o que mais está porvir, certamente poderá beneficiar a prática da advocacia. Tais ferramentas podem e devem ser utilizadas pelos advogados, mas sempre observados os princípios éticos balizadores da publicidade na profissão. É o que dispõe o art , 46 do CED: [...]” (g.n.)

Desse modo, concluo que o que interessa não é tanto a plataforma, mas sim o conteúdo que se vincula.

Salvo os sites de venda (em que a publicidade advocatícia é proibida), acredito que a regra geral para qualquer plataforma digital seria: é autorizada sua utilização, contanto que o conteúdo vinculado seja informativo e obedeça as normas éticas da Ordem dos Advogados do Brasil.

Inclusive, saiba que o mesmo se aplica às newsletter e email marketing enviadas pelos advogados e escritórios de advocacia, ok?

3) Conclusão

Com certeza as plataformas digitais representam uma excelente forma de prospecção de clientes na advocacia e seu uso é autorizado pela OAB (com exceção dos sites de venda e compra).

Recordo que no artigo que escrevi sobre cartão de visita digital, mencionei sobre o advogado de sucesso ser aquele profissional que se permite inovar e seguir as tendências de mercado, sempre com muita responsabilidade e respeitando os parâmetros éticos definidos pela Ordem dos Advogados do Brasil.

Creio que o mesmo pensamento se aplica à prospecção de clientes em redes sociais, blogs e sites. Não tenha receio de inovar e sair da zona de conforto em que se encontra.

A presença não apenas no “ambiente físico”, como também nas plataformas virtuais, tem o poder de lhe conectar a uma imensidão de clientes em potencial. Sugiro que não desperdice essa oportunidade de tornar ainda mais próspera sua carreira como advogado!

4) Fontes

BRASIL. Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 de julho de 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8906.htm>. Acesso em: 04/09/2020.

____________. Provimento n. 94, de 5 de setembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 de outubro de 2000. Disponível em: < https://www.oab.org.br/leisnormas/legislacao/provimentos/94-2000>. Acesso em: 04/09/2020.

____________. Resolução n. 02, de 19 de outubro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 de outubro de 2015. Disponível em: < https://www.oab.org.br/arquivos/resolucaon022015-ced-2030601765.pdf>. Acesso em: 04/09/2020.

ÉPOCA NEGÓCIOS. Brasil é o 2º em ranking de países que mais passam tempo em redes sociais. Época Negócios. Disponível em: <https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/09/brasile2-em-ranking-de-paises-que-passa.... Acesso em: 04/09/2020.

IMME, Amanda. Ranking das redes sociais: as mais usadas no Brasil e no mundo, insights e materiais gratuitos. Resultados Digitais. Disponível em: <https://resultadosdigitais.com.br/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Como conseguir clientes na advocacia pela internet sem ofender a OAB. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/manutencao-qualidade-de-segurado-periodo-de-graca/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Advogado pode fazer propaganda no Facebook ou Instagram?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/advogado-pode-propaganda-facebook/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Marketing de conteúdo para advogados é permitido pela OAB?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/marketing-de-conteudo-para-advogados/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Publicidade na advocacia: por que a OAB é tão rigorosa?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/publicidade-na-advocacia-rigor-oab/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Cartão de visita digital para advogado é permitido pela OAB?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/cartao-de-visita-advogado-digital/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Branding Jurídico: Guia Completo (Respeitando a OAB). Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/branding-jurídico/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Seu site jurídico precisa de mais visitantes? Aprenda a aumentar o seu tráfego sem desrespeitar as normas da OAB. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: https://www.desmistificando.com.br/como-gerar-trafego-advocacia/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Advogado pode anunciar na OLX? O que diz a OAB. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/advogado-pode-anunciar-na-olx/>. Acesso em: 04/09/2020.

STRAZZI, Alessandra. Advogado pode enviar email como forma de publicidade ética?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/advogado-pode-email-marketing/>. Acesso em: 04/09/2020.

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12 Comentários

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Dra. Alessandra, parabéns pelo artigo. Objetivo, claro e correto. Os diversos TED das OAB pelo país, tem pensamentos diferentes, e enquanto alguns acham normal, os outros são contra, logo, é preciso modernizar o Código de Ética da OAB que está rançoso, igual a OAB. continuar lendo

Obrigada, Dr. Eliel! continuar lendo

Parabéns pelo artigo. Muito bom, mesmo!! continuar lendo

Obrigada, Dr. Guilherme! continuar lendo

Ótimo artigo, Dra. Alessandra, claro e elucidativo. continuar lendo

Obrigada, Dr. Antonio! continuar lendo

Artigo bem objetivo e esclarecedor. Muitos colegas ficam na dúvida devido ao nosso estatuto. continuar lendo

Obrigada, Dr. Eduardo! :) continuar lendo