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17 de Janeiro de 2021

A melhor (e mais ética) publicidade online para advogados

Aprenda o que é o marketing de conteúdo para advogados e como utilizá-lo em sua publicidade na internet pode ajudar a prospectar clientes de forma ética.

Alessandra Strazzi, Advogado
Publicado por Alessandra Strazzi
há 6 meses

Naquele artigo que publiquei sobre advogado poder fazer propaganda no Facebook ou no Instagram, falei um pouco sobre o marketing de conteúdo nas redes sociais e nossos leitores nos pediram para escrever mais sobre o assunto.

Como o desejo de vocês é uma ordem, cá está Alê Strazzi trazendo um artigo completo sobre marketing de conteúdo para advogados!

Saiba que se você já utiliza ou pretende utilizar a internet para prospecção de clientes de forma profissionalmente ética e orgânica, com certeza esse artigo vai lhe ajudar nessa missão. Afinal, qual advogado não gostaria de aprender um pouco mais sobre como conquistar clientes? 😂

Mas antes de irmos ao conteúdo, tenho um convite para você que já acompanha o blog. No nosso Perfil de Instagram (@desmistificando) você pode ter acesso gratuito a dicas e informações práticas que produzimos em posts e lives. Para ter acesso, basta seguir e acompanhar a gente por lá.

* Publicado primeiro no blog Desmistificando o Direito: Marketing de conteúdo para advogados é permitido pela OAB?

Definição de marketing de conteúdo

Trata-se de uma estratégia de produção de conteúdos inteligentes para o seu público-alvo e que efetivamente apresente soluções para as “dores” desses indivíduos. Assim, você se torna uma referência na área para quem precisa de ajuda ou lhe acompanha nas plataformas digitais.

Trazendo informações úteis e interessantes, você chamará a atenção para seus serviços de forma orgânica. Ou seja, é o oposto do anúncio ou impulsionamento, modalidades de publicidade paga.

Auxiliando seus seguidores e amigos, você conquistará a sua confiança e será reconhecido como autoridade na matéria. Desse modo, quando precisarem de algo relacionado à área do direito em que atua, você será o profissional a quem recorrerão!

2) Por que advogados devem usar o marketing de conteúdo?

Tendo acesso aos conteúdos que você cria, sua audiência passará a ter confiança em contratar seus serviços e começará a enxergá-lo como um profissional capaz de solucionar de forma efetiva os problemas jurídicos.

Esse posicionamento é uma excelente ferramenta para transformar seguidores em clientes, de modo que ao final serão os clientes que irão até você, e não você que irá até eles. Por isso que o marketing de conteúdo é uma ferramenta incrível para advogados utilizarem em suas plataformas digitais.

O marketing de conteúdo é uma forma gratuita e simples de atrair clientes de forma ética e se posicionar como autoridade no assunto. Ele realmente possibilita que você demonstre aos seus amigos, leitores ou seguidores, que domina aquela área do direito em que trabalha.

Além disso, ao publicar conteúdos de qualidade na internet, além de ter o retorno financeiro (em forma de fechamento de mais contratos), você se sente feliz de estar ajudando muitas outras pessoas.

Para mim, é muito gratificante quando você consegue realmente explicar qual direito aquela pessoa possui. Infelizmente, o brasileiro é muito carente de informação de forma geral e, em se tratando de seus direitos, percebo que ainda mais!

3) Marketing de conteúdo como uma alternativa ética de publicidade online para advogados

No artigo sobre Como conseguir clientes na advocacia pela internet sem ofender a OAB, expliquei que é perfeitamente possível que o advogado, de forma profissionalmente ética, faça publicidade na internet.

Porém, ao planejar a sua estratégia de marketing jurídico online, nunca se esqueça de que as normas éticas da Resolução n. 2/2015 (Código de Ética e Disciplina da OAB), da Lei n. 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB) e do Provimento n. 94/2000 do Conselho Federal da OAB, devem ser respeitadas.

A publicidade profissional do advogado deve primar pela discrição e sobriedade e apresentar caráter meramente informativo, não podendo configurar mercantilização da profissão ou captação de clientes.

Como abordarei melhor nos próximos tópicos, o marketing de conteúdo para advogados se trata de uma oportunidade de se posicionar como uma referência perante o mercado e aproveitar para iniciar uma relação com o cliente em potencial.

Tudo respeitando os parâmetros definidos pela OAB e realizado sempre de forma ética!

3.1) A OAB permite o marketing de conteúdo para advogados?

A OAB permite a publicidade informativa, desde que seja utilizada com moderação e discrição. Portanto, fazer uso de blogs, sites ou até mesmo de redes sociais para compartilhar conteúdo de qualidade e informativo é algo que a OAB autoriza.

“Ok Alê, mas como faço esse tipo de publicidade?”. Minha resposta é: por meio do marketing de conteúdo jurídico na internet.

Contudo, lembre-se sempre de que tal uso deve ser desprovido de engrandecimento do advogado (autopromoção), de mercantilização (é proibida a captação de clientela) e incentivo ao litígio.

A OAB Nacional, em uma Consulta sobre o assunto, já se manifestou no sentido de que seria permitido o uso do marketing de conteúdo pelo advogado, entendendo que seria inclusive salutar, desde que respeitados os parâmetros éticos da OAB.

Na ocasião, não foi utilizada a expressão "marketing de conteúdo", até mesmo porque se trata de um termo novo e, como vocês sabem, nosso sistema jurídico como um todo é notoriamente moroso para lidar com novidades (rsrs…).

Porém, a decisão da referida Consulta aborda exatamente o que chamamos de marketing de conteúdo.

Confira:

Consulta 2010.27.06337-02/OEP. Origem: Processo Originário. Assunto: Consulta. Sítio eletrônico na internet. Abordagem de diversos assuntos jurídicos. Ofensa ao art. 32, caput, do Código de Ética e Disciplina c/c o art. 5º, § único, e 8º, b, do Provimento n. 94/2008. Consulente: Conselho Seccional da OAB/Pernambuco. Relator: Conselheiro Federal José Murilo Procópio de Carvalho (MG). Ementa n. 012/2011/OEP: A abordagem, em sítio eletrônico, de temas jurídicos diversos e de interesse geral, não caracteriza ofensa ao art. 32, caput, do Código de Ética e Disciplina da OAB, c/c os arts. 5º, § único, e 8º, ambos do Provimento n. 94/2008, sendo salutar, desde que o artigo não vise à mercantilização da advocacia e observe os limites impostos à publicidade, propaganda e informação, previstos nos diplomas legais da Ordem dos Advogados do Brasil. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, decidem os membros integrantes do Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da OAB, por unanimidade, responder a consulta, nos termos do voto do Relator. Brasília, 18 de outubro de 2010. Alberto de Paula Machado - Presidente. José Murilo Procópio de Carvalho - Conselheiro Federal Relator. (DOU. S1, 26/01/11, p. 86)

Perceba que a OAB Nacional entende que a abordagem de temas jurídicos de interesse geral em sites de internet não é somente permitida, como também é salutar. Será que isso poderia nos levar à conclusão de que o marketing de conteúdo seria incentivado pela OAB?

O que vocês acham? Não deixem de compartilhar comigo nos comentários!

4) Como fazer marketing de conteúdo de qualidade e atrair clientes?

Em primeiro lugar, sugiro que dê preferência à conteúdos relacionados à sua área de atuação. Assim, você falará sobre temas que tem mais conhecimento, afinidade e prática, o que proporciona uma produção do conteúdo mais fácil!

Além disso, se o foco é conseguir clientes pela internet, faz muito mais sentido publicar um conteúdo voltado à área do direito em que você atua ou pretende atuar em prol deste público.

A segunda dica que dou é que nunca cometa o erro de “postar por postar”.

Após escolher o tema da publicação, pesquise o assunto em vídeos, sites, lives, doutrinas, artigos, jurisprudência, livros etc.

Um marketing de conteúdo eficiente é aquele que é fruto de planejamento, estudo e preparação. Procure sempre trazer informações de qualidade e que terão relevância na vida dos seus clientes!

Aqueles que me conhecem, sabem o quão criteriosa sou com as informações que trago para nossos leitores do Desmistificando o Direito.

Antes de produzir qualquer conteúdo, eu pesquiso o tema, relaciono as palavras-chaves, elenco as fontes nas quais vou me embasar e planejo a estrutura do texto. Somente depois disso é que começo a produzir!

Isso dá trabalho? Sim! Porém, se meu compromisso é compartilhar conteúdo inteligente para vocês e que traga bons resultados para meu projeto digital, todo o tempo e energia investidos nisso valem a pena!

5) Onde compartilhar conteúdo jurídico na internet?

Atualmente, há muitas plataformas digitais, gratuitas ou pagas, para publicar e compartilhar conteúdo jurídico.

Para definir qual plataforma se encaixa melhor às suas necessidades, recomendo que primeiro pense sobre o formato de conteúdo que pretende produzir: post, artigo, tweet, vídeo, podcast etc. Qual desses formatos você teria mais afinidade?

Percebo que a maioria dos advogados optam por escrever, mas conheço colegas que produzem excelentes conteúdos em áudio ou vídeo. Desse modo, peço para que não se acanhe, faça o teste e veja se é capaz de ir além do conteúdo escrito!

E mesmo dentro de suas possibilidades de produção de conteúdo, prefira aqueles formatos mais consumidos pelo seu público-alvo. Assim, você com certeza terá mais chances de que aquela mensagem chegue ao seu cliente!

Definido o formato do conteúdo, passaremos para a etapa de escolher em quais plataformas digitais serão feitas as publicações.

Em geral, o advogado prefe começar publicando nas redes sociais (Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, Twitter etc.) ou em blogs profissionais (do próprio profissional ou de terceiros).

Além disso, há colegas que publicam em sites jurídicos, como o JusBrasil, Migalhas, Conjur, JOTA, Justificando, Âmbito Jurídico etc.

Existe também a opção do advogado criar podcasts (conteúdo em áudio) em plataformas de streaming (Deezer, Spotify etc.) ou criar canais no Youtube para o compartilhamento de vídeos.

Então se anime e se dedique a produzir conteúdos inteligentes e criativos para sua audiência. Opção é o que não falta!

6) 4 dicas de marketing de conteúdo para advocacia

6.1) Aprenda pelo menos um pouco de SEO

No meu artigo 10 coisas que aprendi com meu blog jurídico (aliás, vale a pena a leitura!), contei como eu mesma uso as técnicas de SEO em minhas publicações na internet. Através delas, identifico as palavras-chave e descubro como “adivinhar” o que as pessoas queriam ler.

Isso permite que as páginas fiquem bem posicionadas no Google, o que traz muitos leitores para minhas publicações!

SEO é uma sigla em inglês para Search Engine Optimization. Traduzindo, seria Otimização para Mecanismos de Busca. Trata-se de um conjunto de técnicas que buscam melhorar o posicionamento de suas páginas nos mecanismos de busca (como o Yahoo, Google, Bing, entre outros).

Em minha opinião, o marketing de conteúdo, somado com uma excelente estratégia de SEO, possibilita que o cliente chegue até o advogado, através de simples pesquisas nos mecanismos de busca.

6.2) Tenha constância nas de publicações

Independente de qual seja a plataforma que você utiliza, saiba que manter a frequência nas publicações é muito importante. No artigo "10 coisas que aprendi com meu blog jurídico" eu contei o quanto isso é essencial e salvou nosso blog quando estávamos pensando em desistir...

Portanto, tenha uma meta mínima de postagens/publicações de conteúdo por semana, com dias e horários definidos com antecedência.

Primeiro defina uma frequência que seja possível de você executar, de acordo com a rotina e o tempo que tem disponível. Sei que nem todos têm o mesmo tempo para se dedicar às publicações (e está tudo bem!), por isso sugiro que defina uma meta mínima que seja viável de você cumprir.

Saiba que não há uma frequência de postagem ideal, o que existe é aquela que se encaixa à sua realidade e ao tipo de conteúdo que você produz.

Não precisa publicar conteúdos diariamente, mas você precisa ao menos manter a constância com a qual se comprometeu a postar!

6.3) Tenha um calendário de conteúdo

Logo após definir a frequência de publicações, sugiro fortemente que crie um calendário de publicações especificando quais assuntos serão desenvolvidos ao longo do mês ou da semana.

O calendário é uma ferramenta excelente para ajudar na complicada tarefa de produzir conteúdo e manter a frequência com a qual se comprometeu a postar.

Saiba que o calendário pode ser feito em uma planilha no excel, na sua própria agenda de trabalho, na agenda do Google (que fica computador ou celular), em plataformas de organização de tarefas (por exemplo, o Trello) ou até em uma folha de papel simples.

O que importa é a organização que isso vai proporcionar, e não o formato!

A seguir, vou elencar algumas sugestões de itens que você pode constar no seu calendário de publicações (quanto mais completo ele tiver, melhor):

  • Tema do conteúdo;
  • Dias e horários para publicar;
  • Fontes de pesquisa;
  • Palavras-chaves;
  • Estrutura do texto (pauta);
  • Hashtags;
  • Imagem a ser publicada etc.

Com tudo organizado previamente, as chances de você sentir aquela leve (ou não tão leve assim… hahaha) vontade de procrastinar ou sofrer o popular “bloqueio criativo”na hora de produzir o conteúdo, diminuem bastante!

6.4) Abandone o juridiquês

A menos que você escreva um artigo direcionado a outros advogados ou que será publicado em sites jurídicos, mantenha-se bem longe do juridiquês.

Aliás, eu inclusive defendo que mesmo que o conteúdo seja direcionado a colegas de profissão, o advogado não tem que escrever difícil obter sucesso. O Desmistificando é a prova disso!

Pense comigo: se o objetivo é prospectar clientes na advocacia pela internet, a quem deve ser direcionada sua linguagem? Pois é, aos clientes.

Porém, muitos advogados mesmo assim continuam utilizando uma linguagem repleta de termos jurídicos e difícil. Entendo que vários fazem isso no automático ou até mesmo acreditam que “falar difícil” impressiona o cliente em potencial.

Entretanto, preciso falar que o efeito é o oposto: se o cliente em potencial não entendeu o que você falou, como ele compreenderá que o conteúdo publicado pode resolver exatamente o problema dele?

Desse modo, busque utilizar uma linguagem que facilite a compreensão do tema pelo cliente e que seja simples. Se ele entender o que você falou, ele terá mais confiança em você e acreditará fielmente que pode ajudá-lo a solucionar todo problema jurídico!

7) Conclusão

Hoje tentei trazer conceitos básicos de marketing de conteúdo para advogados.

Entendo que o tema é vasto e seria difícil esgotar o assunto em apenas um só artigo. No entanto, deixem nos comentários se tiverem dúvidas ou sugestões de tema para os próximos, combinado? 😉

O marketing de conteúdo é uma ferramenta poderosa e que, se usada de forma inteligente e estratégica, possibilita uma prospecção de clientes ética através da internet!

O que você achou do artigo? No nosso Perfil de Instagram (@desmistificando) você pode acompanhar outros conteúdos gratuito que levo em formatos de lives e posts. Acesse a nossa página e acompanhe tudo o que produzimos por lá também.
E não se esqueça de conferir os outros artigos do blog Desmistificando o Direito! Sempre publicamos conteúdos relevantes para nossos colegas advogados, de uma forma didática e desmistificada.

Fontes

BRASIL. Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 de julho de 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8906.htm>. Acesso em: 15/07/2020.

____________. Provimento n. 94, de 5 de setembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 de outubro de 2000. Disponível em: < https://www.oab.org.br/leisnormas/legislacao/provimentos/94-2000>. Acesso em: 15/07/2020.

____________. Resolução n. 02, de 19 de outubro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 de outubro de 2015. Disponível em: < https://www.oab.org.br/arquivos/resolucaon022015-ced-2030601765.pdf>. Acesso em: 15/07/2020.

MORALES, Camila. Marketing de Conteúdo para advogados: a importância da produção intelectual na advocacia. Resultados Digitais, 2018. Disponível em: <https://resultadosdigitais.com.br/blog/marketing-de-conteudo-para-advogados/>. Acesso em: 22/07/2020.

STRAZZI, Alessandra. Como conseguir clientes na advocacia pela internet sem ofender a OAB. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/manutencao-qualidade-de-segurado-periodo-de-graca/>. Acesso em: 22/07/2020.

STRAZZI, Alessandra. Advogado pode fazer propaganda no Facebook ou Instagram?. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/advogado-pode-propaganda-facebook/>. Acesso em: 22/07/2020.

STRAZZI, Alessandra. 10 coisas que aprendi com meu blog jurídico. Desmistificando o direito, 2020. Disponível em: <https://www.desmistificando.com.br/aniversario-desmistificando/>. Acesso em: 22/07/2020.

11 Comentários

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Excelente!! continuar lendo

Muito bom. Objetivo, claro e fundamentado. continuar lendo

Gostei, isso é mídia digital:
Ex:
@nome completo. continuar lendo

Cara colega, O título de seu artigo contem uma impropriedade, pois a ética não pode ser mensurada, nem adjetivada; por conseguinte inexistem: mais ética, menos ética, ética maior, ética menor, ética boa ou ética ruim. Ou se atua com ética, ou não. Quanto ao teor do artigo, muito bom. Ética é ser, não estar. Em outros termos, se assemelha à gravidez, nenhuma mulher está mais ou menos grávida, ou está grávida ou não está, pode até parecer estar grávida, porém nunca mais grávida ou menos grávida. continuar lendo